APDCA – A Sociedade Comercial C. Santos é uma empresa com um percurso histórico no setor automóvel português. Como descrevem, hoje, a identidade da empresa e o papel que desempenha no mercado?
Sociedade Comercial C. Santos – Fundada em 1946, a Sociedade Comercial C. Santos é um concessionário e oficina autorizada para a comercialização de viaturas, peças e prestação de serviços das marcas Mercedes-Benz, Mercedes-AMG, Mercedes-Maybach, Mercedes-Benz Vans e Mercedes-Benz Trucks. É ainda agente e oficina autorizada smart.
A empresa celebrou 80 anos a 11 de janeiro de 2026, consolidando-se como uma referência na representação da Mercedes-Benz e da smart em Portugal. Ao longo destas oito décadas, crescemos de forma sustentada até nos tornarmos num dos principais intervenientes no retalho automóvel nacional. Encerrámos 2025 com cerca de 3750 veículos vendidos (novos e usados) e um volume de negócios de aproximadamente 200 milhões de euros. Com instalações de mais de 60 mil metros quadrados na Maia (junto ao aeroporto do Porto) e showrooms na Boavista e em Felgueiras, procuramos honrar o nosso legado através de um serviço focado na excelência da mobilidade premium, alicerçado no trabalho de cerca de 400 colaboradores.
Quando e por que motivo decidiram associar-se à APDCA? O que pesou nessa decisão?
SCCS – A Sociedade Comercial C. Santos é associada da APDCA desde 2017, porque valoriza, desde sempre, o trabalho desenvolvido pelas associações do setor. Este papel é essencial na defesa da atividade e na sua profissionalização, o que resulta em melhores condições para os operadores e – tão ou mais importante – na prestação de um serviço melhor aos consumidores.
Sendo uma empresa com forte peso institucional, que importância atribuem ao facto de existir em Portugal uma associação exclusivamente dedicada ao comércio automóvel usado?
SCCS – O comércio de automóveis usados, pelas características do produto e pela diversidade de tipologias de empresas, é o segmento que acaba por estar mais exposto a fragilidades, seja pela dimensão dos operadores, seja pela complexidade da defesa do consumidor. Assim, uma associação exclusivamente dedicada a esta área funciona como um incentivo à qualificação dos intervenientes. No longo prazo, isto traduz-se num mercado mais transparente e num melhor serviço ao cliente final, beneficiando todo o setor automóvel e a economia portuguesa.
Já participaram na Convenção Anual da APDCA? Que importância têm, para uma empresa como a vossa, estes momentos de encontro, debate e alinhamento entre profissionais do setor?
SCCS – As convenções e encontros setoriais são excelentes plataformas de aprendizagem. Os convidados são, por norma, profundos conhecedores da realidade nacional e internacional, o que nos permite atualizar conhecimentos e antecipar tendências. Além disso, estes eventos são fundamentais para o networking e para a partilha de experiências entre profissionais que enfrentam desafios comuns no dia a dia.
Na vossa perspetiva, quais são hoje os principais desafios do comércio automóvel em Portugal, em especial no mercado dos usados? E que soluções consideram prioritárias?
SCCS – Um dos principais desafios atuais é garantir a confiança total do cliente num mercado com uma oferta tão vasta e diversa. Com a crescente complexidade tecnológica e a eletrificação dos modelos, o consumidor procura, mais do que nunca, segurança e garantias reais. Nesse sentido, consideramos prioritária a aposta em programas de usados certificados de marca, como o Mercedes-Benz Certified, que disponibilizamos na Sociedade Comercial C. Santos. Estes programas permitem-nos oferecer um produto rigorosamente inspecionado, com histórico comprovado e assistência especializada, aproximando a experiência de compra de um usado aos padrões de exigência e tranquilidade de uma viatura nova.
O setor tem hoje pela frente desafios como a concorrência desleal, a falta de regulamentação, a pressão fiscal e a necessidade de maior profissionalização. Onde deveria estar a prioridade da resposta coletiva?
SCCS – Todos os pontos indicados são críticos para a melhoria do setor. Contudo, se tivesse de destacar um, apontaria a profissionalização da atividade. Um mercado mais profissional é, por natureza, mais resistente à concorrência desleal e mais capaz de responder às exigências regulamentares. Acima de tudo, a profissionalização gera confiança junto do consumidor, garantindo a solidez e a sustentabilidade dos operadores no longo prazo.
Que apelo deixam aos operadores que ainda continuam de fora do movimento associativo e que, muitas vezes, só sentem o problema quando ele já lhes bate à porta?
SCCS – Há uma frase popular, regularmente atribuída a um provérbio africano, que refere que, se quisermos ir rápido, devemos ir sozinhos, mas, se quisermos ir longe, devemos ir acompanhados. O associativismo é precisamente isso. Naturalmente que somos concorrentes e queremos ter o maior sucesso individual possível, pelo que há aspetos estratégicos que são intrínsecos a cada empresa. No entanto, há muito mais que deve ser partilhado para que tenhamos melhores operadores no mercado e clientes mais informados e satisfeitos. No final do dia, isso é benéfico para o setor automóvel, para a economia e para todos os operadores.